Memória
Penso muito sobre a memória em si. Onde se esconde, armazena, aparece e divaga. Ela falha nas horas mais impróprias e reaparece do nada, como um signo sinal que menosprezamos no instante seguinte. Li muitos livros que falaram sobre ela, sobre suas aparições, assombrações, dramas e recordações. Mas, outro dia lendo o livro de Reinaldo Moraes, Pornopopéia, achei uma explicação de gênio, vindo de seu personagem principal e que é extremamente egoísta, leva a vida de prazer em prazer e sem o mínimo de remorso:
"... acho que ela parece mais um oceano agitado por ondas aleatórias de angústia e dor a encobrir imagens perturbadoras em fuga através de fronteiras imprecisas nos substratos mais profundos da mente humana, como no Império dos Sonhos, do Lynch. É isso: a memória é um pesadelo fílmico do David Lynch. Não é a toa que ela vem com um dispositivo autolimpante - o esquecimento."
